Maria Trouxe as outras

Da Penha é o sobrenome dela, que abriu portas para as outras tantas Marias.

 

Considerada uma das três melhores leis do mundo sobre violência de gênero pela Organização das Nações Unidas (ONU), a Lei 11.340 é baseada na história da cearense Maria da Penha Maia Fernandes. A farmacêutica que sofreu duas tentativas de feminicídio por parte do marido e, na primeira delas, ficou paraplégica.

Mesmo 15 anos após o primeiro julgamento dos crimes, a justiça brasileira não havia condenado o agressor. Foi só com a intervenção da Comissão Interamericana dos Direitos Humanos (OEA), em 2002, que ele foi preso e começaram a serem tomadas medidas judiciais visando a elaboração de um projeto de Lei.

Segundo informações do jornal correio em 2017, a cada 56 minutos, uma mulher é agredida em Salvador.Maria, Juliana, Beatriz, Fátima, Ana, esses são só alguns nomes das mulheres que já podem ter sofrido algum tipo de violência só no inicio dessa reportagem.

Nem toda violência é apenas física, é difícil identificar quando as agressões começam ou quando o relacionamento se torna abusivo. Mas é possível identificar alguns sinais, ter medo de terminar a relação e ouvir frases como “Você não vai conseguir ninguém melhor que eu, você não vai conseguir ninguém”, São alguns mínimos exemplos que indicam abuso psicológico. São frases que colocam a mulher num lugar onde ela não pode sair, ela se sente dependente dessa relação. Há, ainda, fatores culturais que influenciam a permanência da mulher em uma relação assim.

A violência psicológica pode ser ainda mais devastadora do que a violência física. Quem está vivendo o problema, às vezes, não sente que está vivendo. Começam as pressões, algumas acham que é ciúme e que até é bonito, porque ainda tem esse conceito muito machista em nossa cultura. É tão comum que fica difícil entender que aquilo é violência. Como foi o caso que repercutiu muito no programa Big Brother Brasil, onde o cirurgião plástico Marcos Harter praticou esse tipo de violência com a gaúcha Emilly Araújo.

Costumamos repreender e discriminar a violência física. No caso do BBB, ele já estava praticando a psicológica contra ela, mas quando houve a violência física foi que começou a inquietação popular. É preciso começar a prestar atenção nas violências mínimas que acontecem no cotidiano.

Muitas das mulheres que denunciam pela primeira vez não foram agredidas somente uma vez, muitas não procuraram porque são ameaçadas. Eles “dizem que, se elas procurarem a polícia, vai ‘fazer e acontecer”.

É importante saber que não é somente a mulher que pode denunciar a situação de violência que está vivendo. Qualquer pessoa seja amigo, parente ou vizinho, pode fazer isso tanto pelo telefone 180 quanto em uma delegacia. Normalmente é difícil alguém fazer isso, mas, às vezes, a mulher precisa desse apoio, porque, sozinha, ela não consegue.

fonte: Sindicomerciários Viamão

Meter a colher é importante, mas é preciso tomar cuidado, nessas horas, é preciso escutar as vítimas e não subjugá-las. Tomar à frente, às vezes, mesmo com a boa intenção pode reproduzir uma atitude violenta.

Elas precisam entender que não são as culpadas nem nunca serão. Aqui, os culpados são eles. São eles quem deve ser expulsos da casa – seja a do BBB, seja a delas.

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