Objeto da Consciência

– 14/12/18
– Coluna: Consciência em Foco

– Colunista: Profa. Dra. Maribel Barreto
– Tema: Consciência

OBJETO DA CONSCIÊNCIA

“A nossa Consciência é diretamente proporcional
ao nosso grau de razão, e além”.
(Jair Tércio)

A razão não se recusa a aceitar a teoria de que a Consciência é aquela faculdade humana que serve de base também para comparar, julgar e/ou apreciar o Todo, mas, como um todo, até porque ela, a consciência, indica que tudo é e tem tudo; tudo é feito de tudo, e tudo é feito do mesmo. E, neste sentido, somos convidados a refletir que, tanto o Universo, quanto o Ser Humano são regidos pelas mesmas Leis Universais, estas que repousam na Consciência do último, sua maior representação consciente neste mesmo Universo, impulsionando o mesmo a realizar uma tarefa para o todo do Universo qual está nele.
Assim, considerando a razão de nossa existência, a razão muito importa. Ela nos dá independência; e a nossa independência imita a evolução, que nos empurra para além, possibilitando-nos integrar conosco mesmo, com nosso próximo, com o meio em que vivemos e, por conseguinte, com o Criador, que somos. Eis que a razão no seu limite já é a própria Consciência.
Ela é, portanto, uma Potência em toda parte, esperando apenas a ocasião favorável para emergir, e uma vez manifesta, operar sua finalidade até o fim.
A importância da Consciência se deve ao fato, inclusive e principalmente, dela nos possibilitar conhecer o Universo e sua Causa Absoluta; bem como buscar encontrar outras realidades para nós ainda desconhecidas, favorecendo-nos agir incessantemente para achá-las, como que a escavarmos a terra o mais profundamente possível; a voarmos o mais alto possível; a inflamarmo-nos o mais intensamente possível; bem como a mergulharmos o mais profundamente possível; tudo isso em nós, por nós e a partir de nós mesmos.
Etimologicamente, a palavra consciência refere-se a um atributo altamente desenvolvido na espécie humana, pelo qual o homem toma, em relação ao mundo e a seus estados interiores, aquela distância em que se cria a possibilidade de níveis mais altos de integração’, ‘conhecimento, noção, ideia’. Do latim: conscientia. ‘Ter conhecimento (de algo)’ (CUNHA, 2010, p. 173).
Pode-se afirmar que a consciência se relaciona à descoberta ou reconhecimento de algo, quer de algo exterior, como um objeto, uma realidade, uma situação etc., quer de algo interior, como as modificações sofridas pelo próprio eu, conhecimento do bem e do mal.
O sociólogo Camargo (2010, p. 2) evidencia três sentidos da consciência: o psicológico, o epistemológico e o metafísico e assim expressa: “Em sentido psicológico, a consciência é a percepção do eu por si mesmo, este é o conceito mais conhecido. Em sentido epistemológico, a consciência é primeiramente o sujeito do conhecimento. Em termos metafísicos, chamamos muitas vezes à consciência o Eu”.
A Consciência, nesta concepção, parece-nos claro, envolve subjetividade, autoconsciência e a capacidade de perceber a relação entre si e o outro; é uma qualidade psíquica, e também é um atributo do espírito.
De acordo com Neumann (2008, p. 220), há razões científicas justas para que se considere a consciência um dos órgãos experimentais da vida, o que é mais justificável, em todo caso, do que deixar de lado esse fator fundamental da existência espiritual humana e relegá-lo ao campo da reflexologia ou do comportamentalismo.
Para Velmans (1997) a consciência é termo com vários sinônimos: a atenção e estado de atenção, o ‘conteúdo da consciência’ e a autoconsciência”. Assim, o problema da investigação psicológica reside em não se limitar ao estudo de fenômenos e processos na superfície da consciência, mas em penetrar em sua estrutura interna.
E, portanto, a consciência deve ser considerada como um movimento interno específico gerado pelo movimento da atividade humana. Corroborando com tal compreensão Minsky (1991) atribui ao termo consciência o significado da organização de diferentes formas de sabermos o que acontece dentro da mente, corpo, e no mundo exterior.
Penrose (1999) argumenta que a consciência é uma característica da ação quântica do cérebro não podendo ser simulada em computador. E Goswami, aprofunda ainda mais eevidencia: “A consciência tem de ser uma identidade diferente do cérebro, a fim de produzir um efeito causal sobre ele. Ela pertence a um mundo separado, fora do corpo material”. (GOSWAMI, 2008, p.155).
Vejamos a analogia citada por Ferguson (2007) que nos conduz para além do cérebro, para além do tempo presente e do nosso próprio corpo: “Uma consciência saudável é como uma teia de aranha, e você é a aranha no centro. O centro da teia é o momento presente. Mas o significado de nossa vida depende daqueles finos fios que se estendem para outros tempos, outros lugares, e das vibrações por toda a teia (WILSON, 1978 apud FERGUSON, 2007, p. 204)”.
E de acordo com esta concepção é fácil compreender a hipótese elaborada por Leon (1995) de que a consciência seria uma propriedade natural do mesmo tipo do que a vida quando surgiu de processos evolutivos.
A partir do trabalho de Chalmers (1996), muitos pesquisadores atuais vieram a assumir a compreensão da consciência incluindo, além do processo que gera a consciência desperta, também a experiência de um mundo fenomenal ou um ‘como é sentir-se em tal situação’, que caracteriza a chamada ‘perspectiva da primeira pessoa’ ou o ‘aspecto subjetivo’ da experiência consciente.
Neste caso, temos uma teoria subjetivista da consciência, defendida por Searle (1998), que se apoia na ideia de que os nossos estados de consciência (experiências sensoriais, pensamentos, etc.) são estados intrinsecamente subjetivos e, portanto, quanto a esse aspecto, irredutíveis a qualquer definição e explicação de caráter unicamente científico.
A consciência, pois, é constituída por diferentes fenômenos, os quais precisam ser explicados na sua totalidade para se chegar a uma compreensão final cada vez mais elaborada. E como bem expressa Chalmers (2003), nas suas pesquisas sobre consciência, alguns dos fenômenos da consciência são mais fáceis de descrever, utilizando-se de métodos científicos atuais, já outros, por não poderem ser explicados por esses tipos de métodos, podem ser classificados como difíceis. Uma vez que necessitariam de uma nova visão científica para sua solução e ele tem sido persistente na busca de desvendar, de forma cada vez mais profunda, este sentido mais difícil da consciência, em si.
E nesta busca de compreensão do todo da consciência Di Biase (2005) bem evidencia que matéria, vida e consciência não são consequentemente entidades separadas, mas uma “unidade holística indivisível, um continuum holoinformacional inteligente, auto-organizador, permeando todo o universo e se desdobrando em uma infinita holoarquia cósmica” (DI BIASE, 2005, p.7).
Assim, podemos evidenciar, após análise de diferentes, porém, complementares, pesquisadores acerca do objeto da consciência, que tal compreensão é, apesar de simples, vasta e profunda. E isso deve ser objeto de nossas buscas, ainda que pareça corresponder a, concomitantemente, atravessar um deserto muito extenso e mais do que extenuante; descer um abismo muito profundo e mais do que apavorante; bem como subir uma montanha muito alta e mais do que intimidante. Contudo, tal conhecimento, o da consciência, é inegável, inevitável e autossustentável, pois a verdade, inclusive de nós mesmos, não só propõe, mas também impõe ser compreendida, para os devidos fins.
Quiçá a Consciência nos faça buscar, achar e manter o que em essência somos, pois é verificável o fato de que, na mesma medida em que nos volvemos para a consciência, ela se volve para nós, nos possibilitando encontrar o caminho que vai para o nosso interior, e além. Os grandes ícones da humanidade são provas cabais disto.

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